domingo, 19 de novembro de 2017

T.A.P. Maior desastre aéreo da Transportadora.

Um dos maiores desastres aéreos em solo português aconteceu há 40 anos

O maior desastre aéreo da TAP e um dos maiores desastres aéreos ocorridos em solo português aconteceu há 40 anos, no dia 19 de Novembro de 1977. O voo TP425 da companhia aérea portuguesa não conseguiu travar na pista a tempo de evitar uma queda fatal para 131 das 164 pessoas a bordo.

Um dos maiores desastres aéreos em solo português aconteceu há 40 anos
Há 10 Horas por Anabela de Sousa Dantas
País TP425 

Na noite de sábado de 19 de Novembro de 1977, o voo TAP Portugal 425 despenhou-se no Funchal, na ilha da Madeira, com 156 passageiros e oito tripulantes a bordo. Morreram 131 pessoas, incluindo seis dos oito tripulantes.
O comandante do Boeing 727-200, João da Costa Lontrão, tentou por duas vezes aterrar na difícil pista do Funchal mas por duas vezes desistiu. Era uma noite chuvosa, com ventos instáveis e equacionou-se divergir o voo para o aeroporto de Las Palmas, na Gran Canaria. Não sem antes tentar uma terceira vez.
O aparelho despenhou-se no final da pista número 24 do aeroporto de Santa Catarina às 21h48. O trem de aterragem só tocou na pista 323 metros depois do ponto de toque de segurança e, devido à água que se acumulou no solo, não conseguiu travar. Derrapou para fora da pista e caiu na praia, junto ao mar, dividindo-se em dois, entre uma ponte de pedra e a água.

Notícias ao MinutoPrimeira página do Diário Popular© Reprodução 
Quatro décadas depois, restam as homenagens e a memória dos familiares e amigos das vítimas. Entre as 131 vítimas mortais do acidente, estava João Melo e a família, Lurdes, a esposa, e Mafalda, a filha do casal, ainda criança.
O Notícias ao Minuto falou com Dulce Trindade André, afilhada do casal, que residia em Cascais e com quem Dulce chegou a morar. Agora com 50 anos, Dulce era uma criança de 10 anos na altura e refere que a memória que guarda do acidente é mais sentimental do que exacta.
Algumas coisas ficaram para sempre, a Mafalda na véspera da viagem agarrar-se à avó para não a deixar viajar com os pais é uma delas“Coincidiu com os anos do meu pai, o acidente foi no dia em que o meu pai fazia anos. Lembro-me da tristeza que foi terem perdido os amigos. Lembro-me mais das emoções do que propriamente dos pormenores”, começou por contar-nos Dulce.
Os pais de Dulce e a família de João Melo, na altura um homem com pouco mais de 30 anos, mantinham uma amizade próxima, tendo Dulce, inclusive, chegado a morar com os padrinhos. No dia do acidente, no entanto, estava em França com os pais e a trágica notícia só chegou dias mais tarde via carta. De todas as memórias que guarda dos padrinhos, recorda com pesar um momento contado pela avó de Mafalda, já em Portugal.

Notícias ao MinutoJoão, Lurdes e Mafalda© Imagem cedida 
“A Mafalda viajava muito e adorava viajar de avião com os pais. Na véspera dessa viagem é que estava muito renitente em ir”, relata Dulce, recordando como a avó da criança contou que, na véspera do voo, a menina não queria ir com os pais para a Madeira.
“Algumas coisas ficaram para sempre, a Mafalda na véspera da viagem agarrar-se à avó para não a deixar viajar com os pais é uma delas”, partilha.

Corpos do comandante e do copiloto nunca foram encontrados
O voo tinha origem em Bruxelas com destino ao Funchal, tendo efetuado uma escala intermédia em Lisboa, de onde partiu com 164 pessoas a bordo. A aeronave ficou quase totalmente destruída devido à explosão e consequente incêndio, excetuando a secção da cauda, que permaneceu sobre a ponte.

Notícias ao MinutoFotografia do avião Boeing 727 em Palma de Maiorca, em 1976© Reprodução Datacenter 
“De um total de 164 pessoas a bordo sobreviveram 33, morreram 122 e desapareceram nove, presumivelmente mortos”, pode ler-se no relatório final da Direção-geral de Aeronáutica Civil, atual Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

Acidente Voo 425 TAP - Relatório Final

O relatório final da comissão de inquérito aberta ao acidente apontou como causa provável “a impossibilidade de desacelerar a aeronave até à paragem do comprimento da pista, devido, provavelmente, aos seguintes factores: condições meteorológicas muito desfavoráveis no momento da aterragem, existência possível de condições para hidroplanagem, velocidade de aterragem de mais de 19 nós, aterragem comprida motivada por um longo ‘flare’ e correção direcional brusca após toque na pista”.
A existência de hidroplanagem, ou seja, as rodas do avião terem deslizado por causa da água na pista, foi refutada por alguns sobreviventes e testemunhas, dizendo, até, que houve uma travagem antes da queda. A TAP, na altura, apontou também, através de relatório interno, as más condições da pista, incluindo as condições de escoamento de água, algo que não foi mencionado no relatório oficial.

Notícias ao MinutoAeroporto da Madeira nos anos 70© Reprodução 
João Lontrão, o comandante, na altura com 34 anos, e o copiloto, Miguel Guimarães Leal, estavam ao serviço há mais de 13 horas, faziam o quinto voo do dia, sendo o cansaço também apontado como uma possível causa. Os corpos do comandante e do copiloto nunca foram encontrados, assim como os de outras sete vítimas.
O período de horas máximo de voo para pilotos foi entretanto alterado de 17 horas para 13 horas. Os 1.600 metros da pista número 24 foram também ampliados por duas vezes, na sequência do acidente.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Casal Ventoso de Cascais.

 Recentemente, numa consulta por uns mapas aqui da região, encontrei esta denominação para um recanto quase no centro da Vila de Cascais.
   Obtive estas fotografias, um destes dias, as quais constituem para mim uma recordação de um belo passeio a pé que fiz nesse dia. Prossegui, depois, pelo recentemente inaugurado, Trilho da Ribeira das Vinhas até Alvide e daí até ao Cobre.

Quinta do Casal Ventoso

Quinta do Casal Ventoso
Trilho da Ribeira das Vinhas. 

Como podemos observar de Ribeira só o nome. Água nem vê-la. Uma tristeza em pleno final de Novembro.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A Terceira Dimensão: Lagoa da Vela

A Terceira Dimensão: Lagoa da Vela: A Lagoa da Vela é uma das 5 lagoas do concelho da Figueira da Foz e faz parte do sistema de lagoas dulçaquícolas de Quiaios , Bom Sucesso ...

Obs: Estas duas fotos são meramente elucidativas. Não deixe de visitar o blogue deste meu amigo onde encontrará locais menos " deprimentes ".

Antes

Depois

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Camarão no rio Tejo.

CONFIRMADO NO ESTUÁRIO DO TEJO
camarão japonês2017-11-13 (IPMA)
Camarão japonês (Marsupenaeus (Penaeus) japonicus) confirmado no estuário do Tejo.
Desde o ano 2000 que o IPMA / IPMAR previa o estabelecimento do camarão japonês no Estuário do Tejo por ter sido objeto de cultivo experimental nessa área na década de 80 do século passado.
Com esta nota, confirmamos a ocorrência e estabelecimento do camarão japonês no estuário do Tejo, estando a ser capturado pela pesca artesanal, como demonstra a foto.
O IPMA encontra-se a preparar um artigo científico para assinalar este registo.
Este é um camarão com interesse comercial sendo objeto de pesca no Oceano Índico e Pacífico, como o Japão, onde também é produzido em aquacultura. A sua introdução na Europa ocorreu através do Canal do Suez para o Mediterrâneo mas também de modo intencional para a sua utilização em aquacultura em França e Espanha.

sábado, 11 de novembro de 2017

Outono. Uma opinião.


"Dantes, aos primeiros sinais de Outono, eu entrava em depressão. Mais do que a chegada do Outono, o que me deprimia era o fim do Verão, pois que sempre fui devoto dessa verdade enunciada por Rilke: "só o Verão vale a pena". Imaginar um longo ano pela frente sem as praias e os banhos de mar, sem as noites quentes nos terraços e pátios, as noites em que o luar atravessa a sombra dos pinheiros e vem pousar no chão do quarto onde dormimos de janela aberta, a maresia trazida pelo vento de sueste nas manhãs marítimas, as frutas de Verão nos mercados, o peixe fresco brilhando ainda com luminosidades de prata, as vozes que se transmitem ao longe, dobrando esquinas e ruelas do que resta dos nossos souks em aldeias ou até em Lisboa, tudo isso, imaginar um ano inteiro sem tudo isso, deixava-me irremediavelmente triste e desamparado, como se as marés de equinócio tivessem varrido todas as possibilidades de alegria, todos os dias felizes. Se o Verão morria assim, eu morria também com ele, de cada vez.

Mas, há uns anos, tudo mudou. Alguns amigos começaram a levar-me à caça e eu descobri que, além do mar, também havia a terra, e depois do Verão havia o Outono: foi uma descoberta tardia, mas decisiva, como se tivesse descoberto uma quinta estação do ano e, mais do que isso, um novo pretexto para a felicidade. Rapidamente tomei a minha decisão e resolvi tornar-me caçador. Comecei pelo princípio, passo por passo, e são muitos: as aulas e o exame para obtenção da carta de caçador, aprendendo coisas para mim inteiramente desconhecidas, como o ciclo de vida e hábitos dos animais, modalidades de caça, princípios de balística, como criar e treinar cães de caça, etc.; depois, atravessei todo o imenso processo burocrático para a concessão de licença de porte de arma, escolhi as armas (que ainda hoje são as mesmas), experimentei vários tipos e marcas de cartuchos até perceber com quais me dava melhor e fiz um mínimo de aulas de tiro; finalmente, experimentei dois cães - um tão bom, que mo roubaram, o outro tão mau que foi dispensado e hoje é um urbano-depressivo, cheio de doenças e tiques de personalidade.

Muito embora o campo não me fosse propriamente estranho, eu não sabia como eram os campos de caça. Não fazia ideia do mundo novo, primordial e deslumbrante, que iria encontrar. Não imaginava as manhãs de geada ou de orvalho suspenso nos arbustos e nos ramos das árvores, as manhãs de frio polar ou as de chuva e lama, onde nos enterramos até à alma e maldizemos a decisão de ter saído da cama - que logo depois bendizemos, assim que os primeiros raios de sol rompem as nuvens e o frio ou que a primeira peça de caça tomba no chão. Não imaginava as longas caminhadas por cabeços ou planícies, por leitos secos de rios ou através da água, o cheiro a esteva e a giesta, ou as longas emboscadas, atento a todos os ruídos, ao simples agitar de uma folha, adivinhando a presença próxima dos animais antes de os ver. As esperas silenciosas à beira de um riacho, molhando a cara na água cristalina, aproveitando para colher poejos ou beldroegas tardias, aproveitando para pensar na vida, no essencial, no que verdadeiramente importa. A sós, com os três maiores luxos que um homem pode ter: espaço, tempo e silêncio. Porque aqui não há multidões nem urbanizações turísticas, não há pressa nem vozearia de conversas inúteis.

E não sabia que os 'selvagens dos caçadores' (que os há, como em tudo o resto), também conseguem, outras vezes, reunir um grupo de amigos que tudo pode separar à partida, mas que finalmente se encontram unidos por essa paixão primitiva e talvez inexplicável da caça. Gosto especialmente dos jantares que antecedem as manhãs de caça, das conversas soltas e sem pressa, das anedotas que dão a volta e regressam no final da época. Há quem imagine que as conversas dos caçadores são sobre futebol, mulheres e política. Pois lamento desiludi-los: são sobre armas, cartuchos, cães, viagens, o estado dos campos e das culturas e as memórias antigas de 'lances' de caça, umas vezes inventadas, outras reais, que cada um guarda consigo e a que só a um outro caçador vale a pena contar. E gosto muito das pequenas pensões ou hotéizinhos manhosos de província, onde se joga cartas à lareira do salão (a inevitável 'sueca') e onde os quartos têm pesados armários antigos de madeira e uma casa de banho 'moderna' enxertada no meio do quarto, com o polibã para poupar espaço. Gosto de passar em revista e preparar todo o 'material' de véspera: verificar se as armas estão bem limpas, se os cartuchos escolhidos são os melhores para o que se vai caçar, se a roupa e tudo o resto estão preparados para não perder tempo de manhã, em que cada minuto conta. E depois é tentar adormecer cedo - o que nem sempre é fácil, porque a adrenalina e a excitação já começam a fazer-se sentir. E, se o sono vier cedo, hei-de adormecer feliz, pensando que no dia seguinte vou à caça, enquanto tantos outros, lá na cidade, vão gastar a noite e a madrugada em bares, discotecas, festas e concertos onde se atropelam para atrair as atenções dos fotógrafos das revistas sociais. E,quando eles, se calhar, ainda nem vão no primeiro sono, já eu estou sentado à mesa (trôpego de sono, é verdade) para algum extraordinário pequeno-almoço, como, por exemplo, açorda alentejana com ovo e bacalhau.

"Ah", dirão vocês agora, "e o prazer sádico em matar animais - disso não fala?". Falo sim, para dizer que não existe tal coisa como o prazer de matar. Existe, sim, o prazer de acertar, que é uma consequência lógica do prazer de atirar. Nenhum caçador gosta de errar o tiro ou, pior ainda, de errar parcialmente e deixar um animal ferido, em vez de morto redondo. É por isso que a ética exige que, no caso da caça grossa, que pode resistir muito tempo a um ferimento, o caçador vá atrás da peça ferida até lhe poder dar o chamado tiro de misericórdia. E é por isso, também, que nenhum caçador que se preze atira a uma ave que não esteja em voo ou a um coelho ou uma lebre que não esteja em corrida. Claro que há caçadores que o fazem, mas eu não caço com eles e os meus amigos também não. Também não caçamos o que não comemos e fazemos questão de saber cozinhar uma canja de pombo, uma perdiz de escabeche ou um arroz de tordos. E de nos sentarmos todos à mesa, terminada a 'jornada', e ficarmos à conversa pela noite adentro, moídos de cansaço e de felicidade tranquila, de bem com a consciência, de bem com a natureza e as suas leis, em paz contra as imperfeições do mundo, as suas falsidades e fúteis aparências.

E se me deu para escrever este texto é, não só porque abriu a época de caça, mas também por outras duas razões. Uma, porque amanhã, diz a lei, é 'período de reflexão' e eu mantenho a tradição de não falar de política antes de eleições. Outra, porque a caça é um grande tema de reflexão e uma grande escola de vida e de valores - de companheirismo, de fairplay, de conhecimento e respeito pela natureza, de paciência, persistência, de reaprendizagem de coisas primordiais e evidentes por si mesmas. E, por isso, antes que a multidão politicamente correcta da nova doutrina urbana e 'civilizacional' queira julgar como selvagens a caça e os caçadores, ou mesmo bani-los face à lei, convinha que a sua arrogante ignorância ficasse a saber que falam do que não sabem e não percebem, e que, para infelicidade sua, jamais entenderão."


Texto da autoria de Miguel Sousa Tavares, publicado na edição do Expresso de 9 de Outubro de 2009



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Outubro ( 4 )

Outubro 2017: Europa excecionalmente quente e fogos severos em Portugal
area ardida 20172017-11-07 (IPMA)
O mês de Outubro de 2017 foi mais quente do que o habitual na maior parte da Europa. Recorrendo a medições de temperatura de superfície do solo obtida por satélite (no inglês Land Surface Temperature – LST*) verificou-se que a anomalia é particularmente pronunciada quando a LST é máxima (durante o dia). A Península Ibérica apresenta um padrão notável de temperatura máxima, com várias regiões no Noroeste da península onde a LST apresenta anomalias superiores a 7 ° C. Durante a noite também se registaram valores de LST anómalos, mas não tão elevados. As áreas com valores de LST superiores aos valores médios encontram-se representadas a vermelho.
A Fração de Cobertura Vegetal observada por satélite (no inglês Fraction of Vegetation Cover, FVC) sobre Portugal evidencia o stress térmico a que a vegetação tem estado sujeita, com valores inferiores aos valores médios observados em outubro na região. No entanto, é evidente uma área de grandes dimensões com anomalias elevadas de FVC (< -0,2) nos primeiros 10 dias de outubro que corresponde às áreas ardidas dos meses anteriores enquanto nos últimos 10 dias a destruição da vegetação devido aos incêndios de 15 de Outubro torna-se notória (ver áreas ardidas no painel inferior direito). Estes resultados apresentam correspondência com os mapas de áreas ardidas fornecidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). As áreas com menos vegetação que o habitual estão representadas a vermelho.
*A temperatura da superfície do solo é estimada a partir das radiâncias na banda do infravermelho térmico, medidas pelo sensor SEVIRI a bordo do Meteosat Second Generation a cada 15 min, em condições de céu limpo. Note-se que a LST não corresponde às habituais medições de temperatura do ar feitas na estações meteorológicas, podendo existir diferenças entre as duas temperaturas de vários °C. A Satellite Application Facility on Land Surface Analysis, um consórcio liderado pelo IPMA e que faz parte integrante do segmento terrestre da EUMETSAT (European Organisation for Meteorological Satellites), disponibiliza aos seus utilizadores estimativas da LST a cada 15 min desde 2004.

Imagens associadas

  • (Topo, esquerda) Anomalia da temperatura às 00UTC. Dados da LSA-SAF. (Baixo, esquerda) Anomalia da temperatura às 12UTC. Dados da LSA-SAF (Topo, direita) Anomalia da Fração de Coberto Vegetal nos primeiros dez dias de outubro e nos últimos dez dias de outubro. Dados da LSA-SAF (Baixo, direita) Áreas ardidas em outubro e no total do ano de 2017. Dados do ICNF.
    (Topo, esquerda) Anomalia da temperatura às 00UTC. Dados da LSA-SAF. (Baixo, esquerda) Anomalia da temperatura às 12UTC. Dados da LSA-SAF (Topo, direita) Anomalia da Fração de Coberto Vegetal nos primeiros dez dias de outubro e nos últimos dez dias de outubro. Dados da LSA-SAF (Baixo, direita) Áreas ardidas em outubro e no total do ano de 2017. Dados do ICNF.